segunda-feira, março 31, 2008

Sarilhos dos grandes

O «Le Monde» noticiava no sábado dia 29 de Março que o arroz subiu 31% num só dia e esse dia foi o dia 27 de Março.

A Índia, o Egipto, o Vietname e o Cambodja suspenderam as exportações enquanto as Filipinas procuram desesperadamente comprar 500 000 toneladas noticia também o Le Monde.

Depois de arrebentarem com o sistema financeiro os grandes especuladores preparam-se para arrebentar com a economia mundial

Os pobres estão proibidos

O mundo moderno orgulha-se da sensibilidade social e preocupação com os necessitados. O Governo faz gala nisso. O nosso tempo acaba de conseguir uma grande vitória na vida dos pobres. Não acabou com a miséria. Limitou-se a proibi-la. É que, sabem, a pobreza viola os direitos do consumidor e as regras higiénicas da produção.A nova polícia encarregada de vigiar a interdição da indigência é a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ASAE. Segundo as regras por que se rege, grande parte dos pequenos negócios, empresas modestas e produtos tradicionais, bem como as vendas, bens e esmolas de que vivem as pessoas carenciadas ficam banidas. É pena, mas não há lugar para pobres na sociedade asséptica que pretendemos.É evidente que as exigências impostas nos regulamentos e fiscalizadas nas inspecções impossibilitam a sobrevivência das empresas menores. Obras necessárias, aparelhos impostos, dimensões requeridas são inacessíveis, excepto às multinacionais, grandes cadeias e empresas ricas, que a lei favorece. Os pequenos ficam rejeitados. Pode dizer-se que a actuação da ASAE constitui o maior ataque aos pobres desde o fim da escravatura.Alguns argumentam que não é esse o espírito da lei nem o sentido da acção da Autoridade. Mas as notícias recentes desmentem essa interpretação favorável. O número de velhas tradições alimentares agredidas é tal que deixou de ser novidade. A 14 de Janeiro passado, a ASAE visitou o Centro de Dia de Póvoa da Atalaia, Fundão. Aí impôs obras caras, destruiu a marmelada que tinha sido oferecida pelos vizinhos e levou frangos e pastéis dados como esmola (Lusa, 06.03.2008). O jejum a que a Autoridade condenou aqueles pobres velhos foi feito em defesa da sua higiene alimentar. Parece que ter fome não é contra os regulamentos do consumidor.Para juntar insulto ao agravo, recentemente a Autoridade lançou a sua "maior operação de sempre" com prisões e apreensões para "celebrar o dia do consumidor" (Lusa, 14.03.2008). Como os selvagens, a ASAE celebra contando escalpes. Entretanto os verdadeiros criminosos continuam a operar e a criar problemas sanitários e ambientais. O mais trágico nesta tolice monstruosa é que, enquanto anda a perder tempo a perseguir os pobres, a ASAE descura a sua verdadeira missão, que é mesmo muito importante.Será que alguém pode ser tão estúpido, insensível e maldoso? Esta hipótese nunca deve ser descartada, sobretudo nos tempos que correm. Mas a explicação é capaz de ser outra. Só um iluminado pode fazer erros tão crassos. O que realmente se passa é que a ASAE não se considera uma polícia nem se vê a perseguir malfeitores. A sua missão suprema é educar o povo para a segurança alimentar. A finalidade é mudar o mundo. O seu objecto são, não os criminosos, mas toda a população. O que temos aqui é um conjunto de fanáticos com meios para impor às gentes ignaras o que julga ser o seu verdadeiro bem. Desta atitude saíram as maiores catástrofes da história.Mas a culpa última não é da ASAE. Ela é responsável pela arrogância, tolice e insensibilidade com que aplica a lei. Mas a origem está nas autoridades portuguesas e europeias que criaram um tal emaranhado de ordens, regras e regulamentos que impedem a vida comum. A incongruência e irresponsabilidade da legislação, nas mãos de fanáticos, criam inevitáveis desgraças. A lei anula-se a si mesma. Ao promover o consumidor esquece o produtor, ao favorecer o investimento ignora o ambiente, ao cuidar do mercado desequilibra a saúde. Quem queira cumprir à risca o estipulado não sobrevive. Nem sequer quem o impõe: "Sede da ASAE [no Porto] não cumpre regras impostas pela ASAE" (JN, 17 de Fevereiro).Numa sociedade democrática, a responsabilidade última está nos eleitores. Os séculos futuros vão rir de um tempo tão ingénuo que quis leis e regulamentos para todo e qualquer aspecto da vida. Esta obsessão legalista, mecanicista, materialista, se nos traz ganhos importantes, acaba por asfixiar a realidade. Como sempre, os pobres são os primeiros a sofrer.
João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Lilipute

Não se pense que estas leis e regulamentos de segurança alimentar são uma novidade Não são.Isto é antigo, muito antigo. A segurança alimentar sempre esteve (como diz o Dr Nunes da ASAE ) nas preocupações dos governantes, dos reis e dos imperadores. O mais conhecido da antiguidade é o famoso decreto do imperador de Lilipute .

Embora toda a gente concordasse na época que a maneira tradicional de partir ovos fosse bater com eles numa esquina de uma mesa ou prato, o Imperador cortou uma vez o dedo ao praticar tão perigosa acção. Perante isto e no sentido de impedir que mais terríveis acidentes destes pudessem ocorrer o seu pai decretou que em todo o país se passe a partir os ovos pela extremidade mais delgada.


As consequências deste decreto, como sabem , não foram boas .« Pelas estatísticas que se fizeram, onze mil homens,»( era uma altura em que havia Homens) «em diversas épocas, preferiram morrer a submeter-se ao decreto de partir os ovos pela extremidade mais delgada. Foram escritas e publicadas centenas de volumosos livros acerca deste assunto; mas os livros que defendiam o modo de partir os ovos pela extremidade mais grossa foram proibidos desde logo, e todo o seu partido foi declarado incapaz de exercer qualquer função pública» Milhares de Liliptianos refugiaram-no no Império vizinho de Blefuscu onde ganharam tamanha importância que se preparavam para invadir Lilipute.

Mas a sorte protegeu os governantes de Lilipute. Um gigante chamado Gulliver protegeu-os e confiscou toda a esquadra de Blefuscu.

Espero que nenhum gigante proteja os nossos .

O divórcio no Multibanco

quarta-feira, março 26, 2008

Comecemos

Todos vimos «o caso da aluna». O Ministério Publico e o Estado exemplar que temos vão persegui-la e à família. Tornou-se alvo de chacota nacional. Defender a aluna provoca vómitos. Crucificamo-la, queremos apedrejá-la na praça pública.

Comecemos então.

Quem não tiver pecados que amande a primeira pedra

terça-feira, março 25, 2008

ESTALINISMO

IstoDecisões Infra-Judiciais Ao ler a Gazeta, fiquei ... que o Corcunda conta é grave, muito grave, gravíssimo.

Só há duas maneiras de lutar contra isto:
1-Ou fora do sistema
2- Ou dentro do sistema.

A única legal é dentro do sistema.
A única eficaz é dentro do sistema

Como ?

Engolindo sapos.

É preciso inscrevermo-nos nos partidos do sistema e lutar contra isto por dentro.

É preciso lutar por Portugal

terça-feira, março 11, 2008

Ocultismo

Isqueiros Todos os isqueiros que não cumpram determinados requisitos (que só os iniciados nesta ciência oculta conseguem aceder ) foram proibidos.

Se alguém estiver interessado em ciências ocultas o decreto lei está disponível:
EGIME APLICÁVEL À COLOCAÇÃO DOS
Para quem pensa que esta doença é europeia desengane-se é mundial e contagiosa

Venda de isqueiros agora só com alerta sobre risco de acidentes no Rio ...- Translate this page

No «fascismo» era preciso ter uma licença. Agora é necessário ser ocultista para vender isqueiros.

terça-feira, março 04, 2008

Desta vez foi à facada

Hoje mais um homicídio, mais um segurança .Desta vez foi à facada. O assassino deixou a faca (que deve ter sido apreendida pela ASAE para verificar se tinha todas as condições higiénico sanitárias).
Paulatinamente vai-se destruindo tudo o que Portugal tem de bom.