quarta-feira, maio 02, 2007

À critica do Corcunda

A Contra-Revolução bate-se pelos direitos pré-existentes (direitos existentes antes da revolução)

A Revolução bate-se pelos direitos adquiridos .(direitos adquiridos depois da Revolução)

Mas tudo isto é um questão de tempo, de compasso da História.

Porque os direitos adquiridos tornam-se pré-existentes depois da Revolução seguinte à Revolução anterior que tinha anulado os direitos pré-existentes para criar uns novos que se tornaram adquiridos que irão passar a ser pré-existentes depois da próxima revolução e assim sucessivamente até pararmos de andar à roda.

Qualquer direito adquirido após algum tempo torna-se no que é: Direito.

A Revolução bate-se pelo que deve ser.

A Contra-Revolução bate-se pelo que é.

Com o tempo o Direito criado pela revolução torna-se no que é transformando-se em Tradição .Aqui cria-se um paradoxo : o Direito Revolucionário torna-se Tradicional sendo logo atacado pelos novos revolucionários que querem abolir o Direito que é para criar o Direito que devia ser.

Só assim se percebe que conceitos e realidades revolucionárias como Nação e Exercito sejam defendidos pela Contra Revolução

2 Comments:

Blogger O Corcunda said...

Caríssimo Francisco,

Deixe-me ver se consigo não ligar o complicador...
A Contra Revolução luta pelo eterno (É), mas que numa fase da História (o que está) pode ser apenas um (dever ser). Aproximar o que existe (está) ao que É (em si, o transcendente) faz-se por esse vislumbre (dever ser, Justiça). O problema é que a Modernidade (ou Revolução) faz o inverso... Aproxima o Dever Ser do que temos no mundo (o que está). Transforma o que existe (está), tanto mau como bom, no dever ser. Esse é o problema do historicismo, do contractualismo liberal... Dizem que as coisas são justas porque nós assim o desejamos... Emerge daí o totalitarismo! Se não existe uma norma que nos seja externa para determinar como nos devemos relacionar, só nos resta submeter ao Poder ou tentar conquistá-lo, independentemente do mal ou bem que possamos fazer (uma vez que o mal ou o bem, nessa situação, é apenas uma questão de quem manda e não uma norma racional que possamos compreender, concordar ou discordar). Isto é o regresso ao pré-político (selvajaria) em que a obediência é conseguida pela coerção e não pela justiça.
Não consigo descomplicar mais que isto...

No que respeita aos direitos adquiridos tenho por eles a mesma posição que sobre os outros. Desde que não sejam invalidados pelo que É serão sempre válidos!

Grande abraço

5:51 da tarde  
Blogger O Corcunda said...

Ah, e para o Francisco não ficar a pensar que eu sou um tipo muito esperto resta esclarecer que a teoria não é minha, mas de um Prof. da Universidade de Chicago chamado Leo Strauss... O livro chama-se Natural Right and History.
É uma leitura difícil, mas que vale bem a pena.

5:55 da tarde  

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